POLÍTICA

Nova prefeita de Joinville, Rejane Gambin inicia mandato com pressão e expectativas

Prefeita terá que consolidar liderança sem o antecessor e lidar com desafios políticos e empresariais

Nova prefeita de Joinville, Rejane Gambin inicia mandato com pressão e expectativas
Foto: Divulgação
Publicado em 30/03/2026 às 12:09

A jornalista Rejane Gambin assume nesta semana a Prefeitura de Joinville, maior cidade de Santa Catarina, em meio a expectativas e também a um cenário de desconfiança por parte de lideranças políticas e empresariais.

A posse ocorre após a saída do então prefeito Adriano Silva, que deixa o cargo para disputar o posto de vice-governador na chapa de reeleição do governador Jorginho Mello. A transição acontece em um momento em que a gestão municipal vinha sendo bem avaliada.

Escolhida inicialmente como vice-prefeita por representar uma renovação no perfil da chapa — sendo mulher, jornalista e figura conhecida nas redes sociais e na televisão local —, Rejane construiu sua trajetória política ao lado de Adriano Silva. Entre suas atribuições, esteve à frente de iniciativas voltadas à revitalização de parques e praças, ações que, embora visíveis, chegaram a ser tratadas como secundárias dentro da gestão.

Apesar de especulações sobre uma possível substituição na chapa durante a reeleição, Rejane se manteve como vice e participou de uma vitória expressiva nas urnas. Agora, assume o comando do Executivo municipal e enfrenta o maior desafio de sua carreira: governar sem a presença direta de seu principal aliado político.

A nova prefeita se torna a primeira mulher a comandar Joinville, em um cenário historicamente marcado pela predominância masculina e pela forte influência do setor empresarial na política local. Esse fator amplia o grau de complexidade de sua gestão, exigindo não apenas capacidade administrativa, mas também habilidade para dialogar com lideranças tradicionais da cidade.

Nos bastidores, já surgem projeções para a eleição municipal de 2028. Entre os nomes ventilados está o do secretário estadual da Fazenda, Cleverson Siewert, apontado como possível alternativa com apoio do governo estadual. Ao mesmo tempo, setores ligados ao Partido Novo também demonstram interesse em disputar espaço no futuro cenário eleitoral.

Outro desafio relevante para Rejane será a articulação política. Apesar de ter conduzido negociações importantes, como o diálogo com o sindicato dos servidores evitando uma possível greve, o cenário tende a se tornar mais complexo a partir de 2027, com a reorganização das forças políticas locais.

Sem a presença direta de Adriano Silva, que poderá ou não integrar o governo estadual, a prefeita terá que construir sua própria base de apoio, lidar com uma nova configuração na Câmara de Vereadores e enfrentar possíveis adversários que devem emergir do próprio Legislativo.

Diante desse cenário, a gestão de Rejane Gambin será determinante não apenas para a continuidade do atual governo, mas também para definir sua viabilidade política em uma eventual disputa eleitoral em 2028.