DEBANDADA

Entrada de Sergio Moro esvazia o PL no Paraná

Saída de 48 dos 52 prefeitos do PL escancara crise após decisão por Sergio Moro

Entrada de Sergio Moro esvazia o PL no Paraná
Publicado em 26/03/2026 às 18:41

A filiação do senador Sergio Moro ao Partido Liberal (PL) provocou uma das maiores crises recentes dentro da sigla no Paraná. Após a decisão da direção nacional de lançar o ex-juiz como candidato ao governo estadual, o partido registrou a saída em massa de prefeitos, atingindo diretamente sua base política no estado.

Ao todo, dezenas de gestores municipais deixaram o PL, em um movimento articulado pelo deputado federal Ricardo Barros Giacobo, ex-presidente do diretório estadual. A debandada foi anunciada em coletiva de imprensa realizada em Curitiba, onde o parlamentar também confirmou sua saída da legenda.

Segundo Giacobo, a ruptura foi motivada pelo descumprimento de um acordo político previamente firmado. A expectativa era de que o partido acompanhasse o candidato ao governo indicado pelo grupo do governador Ratinho Júnior, independentemente do nome escolhido.

O deputado afirmou que a decisão da sigla de apoiar Moro contrariou diretamente esse alinhamento. Ele também destacou que sempre defendeu uma candidatura alinhada ao projeto político do governador, reforçando que sua saída ocorre por coerência política, apesar de lamentar o rompimento com o partido.

Antes da definição por Moro, Giacobo chegou a se colocar como pré-candidato ao governo estadual e buscava viabilizar um palanque próprio para o senador Flávio Bolsonaro. No entanto, sua candidatura não avançou dentro da cúpula nacional do PL.

A disputa interna ganhou novos contornos após uma pesquisa eleitoral encomendada pelo partido ter sua divulgação barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná. A decisão apontou risco de desequilíbrio no pleito, especialmente pela forma como os nomes foram apresentados ao eleitorado.

Nos bastidores, a resistência ao nome de Giacobo já era conhecida. Registros atribuídos a Flávio Bolsonaro indicavam restrições à candidatura do deputado, alinhadas à decisão do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto.

A crise no PL também impactou diretamente a relação com a base do governo estadual. A escolha por Moro inviabilizou uma aliança que vinha sendo construída com o grupo de Ratinho Júnior, que previa inclusive composições para o Senado.

Diante do novo cenário, Ratinho chegou a avaliar uma candidatura à Presidência da República, mas recuou e decidiu permanecer no governo estadual até o fim do mandato. A estratégia agora é utilizar a estrutura administrativa para impulsionar um sucessor, ainda não definido oficialmente.

Entre os nomes cotados estão o secretário das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi. Nos bastidores, também surge como alternativa o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, embora sua eventual candidatura envolva renúncia ao cargo.

O episódio evidencia uma fragmentação dentro do campo da direita no Paraná, com impactos diretos na organização eleitoral para os próximos anos e na capacidade de articulação entre partidos aliados.