POLÍTICA

Opinião: o xadrez político de SC entra na fase decisiva

PSD, MDB e PP travam decisões que podem redefinir o cenário eleitoral

Opinião: o xadrez político de SC entra na fase decisiva
Foto: Ilustração
Publicado em 25/03/2026 às 12:00

Faltando poucos dias para o fim da janela partidária, o que se vê não é apenas movimentação política, é um verdadeiro jogo de xadrez sendo jogado em ritmo acelerado, com cada peça tentando garantir o melhor posicionamento para 2026.

Em Santa Catarina, o centro desse tabuleiro é o PSD. A sigla ainda não definiu com clareza seu caminho, e isso trava, influencia e ao mesmo tempo alimenta a ansiedade de outros partidos como o PL, o Progressistas e o União Brasil.

O encontro marcado em Florianópolis, reunindo nomes como Fábio Schiochet, Esperidião Amin, Eron Giordani e Carlos Chiodini, mostra que ninguém quer ficar de fora da construção de uma possível frente. Mas também deixa claro: ainda há mais dúvidas do que certezas.

Na minha leitura, o PSD hoje não segura apenas o seu próprio destino, ele segura o de vários outros. E isso explica o silêncio estratégico e a demora em bater o martelo. Quem decidir primeiro pode errar. Quem esperar demais, pode perder o timing.

Outro movimento que chama atenção é o do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. Ao deixar o PSD e se aproximar do Podemos, ele não apenas muda de partido, ele tenta reposicionar seu protagonismo. É uma jogada clara de quem não quer ser coadjuvante nesse novo ciclo político.

No cenário nacional, o recuo de Ratinho Júnior da disputa presidencial é mais um indicativo de que 2026 está sendo pensado com cautela. Preservar capital político, neste momento, vale mais do que arriscar uma candidatura sem garantia de sustentação.

Ao mesmo tempo, nomes como Eduardo Leite e Ronaldo Caiado entram no radar do Gilberto Kassab, mostrando que o partido busca musculatura nacional para sustentar seus projetos estaduais.

E aqui entra outro ponto importante: o pré-candidato ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues, já deixou claro que tem lado. Ao rejeitar Leite e sinalizar apoio a Caiado, ele antecipa um alinhamento que pode influenciar diretamente as alianças no estado.

Mas, no fim das contas, o que essa reta final da janela partidária mostra é algo simples: discurso público é uma coisa, articulação de bastidor é outra completamente diferente.

A política catarinense está vivendo um momento onde ninguém quer dar o primeiro passo em falso. E, nesse cenário, alianças não estão sendo construídas por afinidade, estão sendo moldadas por conveniência, cálculo e sobrevivência política.

Os próximos dias não vão apenas definir filiações. Vão desenhar o mapa de forças que deve dominar as eleições de 2026.

E, como sempre, quem entende o tempo da política sai na frente.