EMPREGO

Indústria têxtil lidera geração de empregos e impulsiona saldo positivo na região

Setor criou 228 das 702 vagas abertas em janeiro, segundo dados do Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho

Indústria têxtil lidera geração de empregos e impulsiona saldo positivo na região
Publicado em 08/03/2026 às 22:19

A Região do Polo Têxtil (RPT) iniciou o ano de 2026 com saldo positivo de empregos formais. Em janeiro, foram criadas 702 novas vagas com carteira assinada, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O principal destaque foi a indústria têxtil, responsável sozinha pela criação de 228 postos de trabalho, o que representa aproximadamente 32% do total de vagas abertas no período.

O desempenho reforça a importância histórica do setor para cidades da base produtiva regional, como Americana, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste. Em janeiro, Americana registrou 61 novas vagas na indústria têxtil, enquanto Nova Odessa abriu 83 postos e Santa Bárbara d’Oeste contabilizou 81 novas contratações no setor.

Para o presidente do Sinditec (Sindicato das Indústrias Têxteis da Região), Edison Botasso, o resultado é relevante, especialmente diante do cenário econômico nacional considerado desafiador.

Segundo ele, iniciar o ano com um volume expressivo de contratações demonstra a capacidade de reação das indústrias da região, mesmo diante de um ambiente macroeconômico ainda instável.

Recomposição de quadros

De acordo com Botasso, parte das contratações registradas em janeiro está ligada à recomposição de quadros nas empresas. Com o encerramento dos contratos temporários comuns no período de fim de ano, muitas indústrias aproveitaram o início de 2026 para preencher vagas que estavam em aberto.

Mesmo que, em muitos casos, não represente expansão do número total de trabalhadores, o dirigente afirma que as empresas estão conseguindo reduzir um déficit de mão de obra que vinha sendo observado desde o ano passado.

Outro fator apontado pelo sindicato é a mudança no perfil da oferta de trabalhadores neste início de ano. Segundo o departamento de recursos humanos da entidade, muitos profissionais que estavam atuando na informalidade ou em atividades temporárias voltaram a buscar empregos formais na indústria após o período de festas.

A busca por estabilidade, qualificação e perspectivas de crescimento tem contribuído para esse movimento de retorno ao mercado formal.

Ritmo menor que em 2025

Apesar do saldo positivo, o resultado de janeiro de 2026 ficou abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado. Em janeiro de 2025, a região havia criado 1.326 postos de trabalho formais, quase o dobro do volume atual.

Para o economista e professor da PUC-Campinas, Roberto Brito de Carvalho, o dado precisa ser analisado com cautela.

Ele explica que janeiro costuma ser um mês de desaceleração no mercado de trabalho, principalmente devido às demissões no comércio após o período de vendas de Natal. Ainda assim, o fato de a região registrar geração líquida de empregos já é considerado um sinal positivo.

Segundo o economista, a desaceleração em relação ao ano passado está diretamente ligada ao cenário macroeconômico, especialmente às taxas de juros elevadas.

Com juros mais altos, há redução no ritmo da atividade econômica e dos investimentos, o que tende a impactar também o volume de contratações.

Carvalho destaca ainda que a base de comparação elevada de 2025 influencia a leitura dos números atuais. O grande volume de empregos gerados no ano passado reduziu o contingente disponível de mão de obra, o que pode dificultar novas contratações.

Apesar disso, ele avalia que o resultado poderia ter sido pior e alerta que os próximos meses costumam apresentar maior volume de desligamentos, principalmente no comércio.

A expectativa, no entanto, é que uma possível redução gradual das taxas de juros nos próximos meses possa estimular investimentos e refletir novamente na geração de empregos.