FUNERÁRIO PET

Mercado funerário pet cresce em SC com velórios e joias feitas de cinzas

Cerimônias incluem salas de memória, homenagens em vídeo e transformação das cinzas em joias

Mercado funerário pet cresce em SC com velórios e joias feitas de cinzas
Publicado em 02/03/2026 às 5:54

O Brasil consolidou-se como o terceiro país com a maior população de animais domésticos no mundo, somando 168 milhões de pets, segundo levantamento da Euromonitor de 2022. O dado reflete não apenas a dimensão do mercado, mas também o fortalecimento do vínculo afetivo entre tutores e seus animais — relação que agora se estende até o momento da despedida.

Em Santa Catarina, o setor funerário pet tem registrado crescimento com a oferta de serviços que replicam protocolos tradicionalmente adotados em funerais humanos. As famílias têm optado por velórios de corpo presente, presença de oradores e homenagens em vídeo como parte do rito de encerramento do ciclo de vida dos animais.

Especialistas apontam que a formalização da despedida contribui para a validação do luto, sentimento que ainda enfrenta resistência social quando relacionado à perda de um pet. A estrutura oferecida pelas empresas do segmento inclui ambientes planejados para acolhimento, como salas de memória destinadas ao último adeus.

Rituais e personalização

As cerimônias seguem protocolos rigorosos. O corpo do animal é preparado para exposição em ambiente reservado, permitindo que tutores e familiares realizem despedidas íntimas e simbólicas. Após o velório, a cremação é o procedimento mais comum.

É justamente no destino das cinzas que surgem as principais inovações do setor. Em Santa Catarina, serviços personalizados têm ampliado as possibilidades de preservação da memória do animal:

  • Claypalm: registro da pata do pet em quadros de argila ou gesso antes da cremação;
  • Urnas ecológicas: cinzas acondicionadas em recipientes biodegradáveis que permitem o plantio de mudas;
  • Joias de memória: transformação das cinzas em cristais ou pingentes personalizados.

Transformação em diamante

Entre as alternativas que ganham adeptos está a síntese de diamantes a partir das cinzas do animal. O procedimento exige cerca de 300 gramas de material e leva entre três e seis meses para ser concluído em laboratório, onde o carbono extraído é submetido a processos de alta pressão e temperatura até se transformar em pedra sintética.

Segundo Mylena Cooper, diretora dos Crematórios Pet Vaticano em Santa Catarina e no Paraná, há uma tendência crescente de humanização do processo de despedida. Ela explica que o fortalecimento do vínculo entre humanos e animais intensificou a necessidade de rituais estruturados.

Para a especialista, oferecer serviços personalizados permite que os tutores mantenham a memória do animal de forma simbólica e enfrentem a perda de maneira mais saudável, reconhecendo a importância daquele vínculo afetivo ao longo da vida.

O avanço do setor demonstra que o luto pet deixou de ser tratado como tema secundário e passou a integrar um mercado que une acolhimento emocional, tecnologia e personalização.