AFASTAMENTO
Justiça determina afastamento de Almir Vieira por 180 dias em investigação sobre “rachadinha”
Defesa afirma que não houve prática ilícita e que valores têm origem lícita

O vereador de Blumenau Almir Vieira (PP) foi afastado do cargo por 180 dias, conforme determinação da Justiça, no âmbito das investigações da Operação Happy Nation. O parlamentar é investigado pela Polícia Civil por suspeitas de “rachadinha”, além de possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
O afastamento ocorre enquanto o inquérito policial apura indícios de irregularidades relacionadas à suposta exigência de parte dos salários de assessores, prática conhecida como rachadinha. A investigação também envolve movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Paralelamente à esfera judicial, a Câmara Municipal de Blumenau deve deliberar na próxima sessão ordinária, marcada para quinta-feira (12), sobre o recebimento do pedido de abertura de processo de cassação do mandato. A denúncia foi protocolada pelo ex-promotor de Justiça Odair Tramontin e aponta possível quebra de decoro parlamentar, com base em fatos relacionados à prisão em flagrante do vereador durante a operação.
O pedido passou por análise preliminar da Procuradoria-Geral da Câmara, que se manifestou quanto aos aspectos legais e regimentais. Em seguida, a Corregedoria da Casa emitiu parecer favorável à admissibilidade da denúncia, entendendo que há indícios suficientes para a instauração de processo político-administrativo por quebra de decoro.
Segundo o presidente da Câmara, vereador Ailton de Souza – Ito (PL), o parecer da Corregedoria será submetido ao plenário. Caso a maioria dos vereadores vote pela admissibilidade, o caso será encaminhado à Comissão de Ética, responsável por conduzir a apuração, assegurando o contraditório e a ampla defesa.
Na terça-feira (10), o presidente informou ainda que Almir Vieira apresentou atestado médico válido por 15 dias. No entanto, ao consultar a pauta da sessão mais recente, não constava a votação referente ao pedido de cassação, indicando que o tema pode ser analisado nas próximas movimentações do Legislativo.
Nota pública
Após a decisão judicial, o vereador divulgou nota pública afirmando que cumprirá o afastamento “com serenidade e absoluto respeito às instituições”. No comunicado, declarou confiar na Justiça e negou qualquer prática ilícita.
Almir Vieira afirmou que não existem “altas somas de dinheiro” irregulares e que a quantia mencionada nas investigações possui origem lícita e comprovável. Segundo ele, o único incremento patrimonial recente decorre de herança regularmente recebida e da venda formal desses ativos, com documentação adequada.
O parlamentar também criticou o que classificou como “narrativa precipitada” e julgamentos antecipados, ressaltando a importância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. “A verdade não teme investigação. E será restabelecida”, conclui a nota.
O caso segue em apuração tanto na esfera policial quanto no âmbito político-administrativo da Câmara de Blumenau.



