REESTRUTURAÇÃO

Teka entra em nova fase, faz ajustes internos e projeta dobrar de tamanho até 2029

Tradicional indústria têxtil de Blumenau passa por reestruturação e prepara novo ciclo de expansão

Teka entra em nova fase, faz ajustes internos e projeta dobrar de tamanho até 2029
Foto: Pedro Machado, NSC Total
Publicado em 25/01/2026 às 11:25

Prestes a completar 100 anos de história, a Teka vive um momento decisivo em sua trajetória. A tradicional indústria têxtil de Blumenau se movimenta internamente para deixar para trás um período marcado por disputas de controle, trocas frequentes de gestão e um longo processo de recuperação judicial, ainda em andamento, que impactou sua imagem no mercado. As mudanças já são visíveis no parque fabril da empresa, localizado no bairro Itoupava Norte.

No prédio administrativo, antigas divisórias deram lugar a um ambiente mais aberto e colaborativo. Reformas incluem troca de pisos, pintura de forros e revitalização de banheiros. No chão de fábrica, áreas também passam por melhorias estruturais e recebem novas máquinas, mais modernas e eficientes, que aos poucos substituem equipamentos com até 50 anos de uso, em alguns casos triplicando a produtividade.

Os investimentos em modernização devem somar cerca de R$ 80 milhões entre 2026 e 2027. Segundo Angelo Guerra Netto, membro do comitê de reestruturação, grande parte desse montante já está contratada, sem recorrer a financiamentos bancários, com negociação direta de prazos junto a fornecedores. Por trás dessa nova fase está a Alumni, fundo de investimentos que passou a liderar o controle da companhia após o encerramento da antiga gestão judicial, em junho de 2024.

Atualmente, as fábricas de Blumenau e Artur Nogueira (SP) empregam cerca de 2 mil pessoas e produzem aproximadamente 700 toneladas mensais. Com a renovação do maquinário, a capacidade deve chegar a 1,2 mil toneladas até 2027. A empresa também firmou contrato de arrendamento, com opção de compra, de máquinas da Coteminas para ampliar a produção no segmento de hotelaria, no qual a Teka é líder nacional.

A confiança da nova gestão se reflete nos números recentes. Em outubro, a companhia registrou a maior receita mensal de sua história, superando R$ 50 milhões. Projeções da auditoria da Grant Thornton apontam faturamento bruto acima de R$ 1 bilhão em 2029, mais que o dobro do estimado para 2025. O plano envolve fortalecimento do mercado interno, abertura de lojas físicas, expansão do e-commerce, aumento das exportações e o desenvolvimento de uma nova linha hospitalar.

Paralelamente, a Teka avança na renegociação de dívidas trabalhistas e tributárias. O passivo, que já chegou a cerca de R$ 3 bilhões, foi reduzido para aproximadamente R$ 1 bilhão. Mudanças visuais também marcam essa fase, como a nova fachada da matriz, que passa a exibir apenas o nome Teka, e os planos para adotar oficialmente a razão social Teka Têxtil no futuro.