ELEIÇÕES

Jorginho e Adriano: a aliança que redesenha o tabuleiro político em SC

Entrada do Novo na chapa redesenha forças políticas e isola antigos aliados em Santa Catarina

Jorginho e Adriano: a aliança que redesenha o tabuleiro político em SC
Foto: Eduardo Valente/ND
Publicado em 23/01/2026 às 12:00

A decisão que levou o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), a integrar a chapa de reeleição do governador Jorginho Mello (PL) como vice não foi um movimento improvisado, embora tenha surpreendido muitos atores do meio político catarinense. Nos bastidores, a avaliação é de que o jogo foi decidido enquanto parte dos interessados ainda acreditava estar bem posicionada na disputa.

O ponto de inflexão ocorreu quando Adriano passou a aparecer em pesquisas como um nome viável para a disputa ao governo do Estado. Até então tratado como uma liderança municipal de peso, o prefeito de Joinville passou a ser visto como um ativo estadual competitivo. A partir desse momento, a conversa mudou de patamar e o convite de Jorginho deixou de ser especulação para se tornar um cronograma político.

O desenho do acordo é direto: Adriano renuncia ao cargo de prefeito, a vice-prefeita Rejane Gambin assume a administração de Joinville e o partido Novo entra oficialmente no projeto de reeleição do governador. No entorno de Jorginho, o movimento é comemorado como uma ampliação estratégica da aliança, sem a necessidade de dividir excessivamente o protagonismo da chapa majoritária.

Quem não saiu satisfeito do processo foi o MDB. Até pouco tempo, o nome do deputado federal e secretário de Agricultura, Carlos Chiodini, circulava como praticamente definido para ocupar a vaga de vice. O detalhe que pesou contra o emedebista é simbólico: ele estava fora do país no momento em que o acordo com Adriano foi sacramentado. Na política, timing e presença costumam ser decisivos.

Outro ponto-chave foi o aval da executiva nacional do Novo, comandada por Eduardo Ribeiro, tratado como a senha final para o fechamento do acordo. A leitura estratégica é clara: Joinville funciona como vitrine política, Adriano possui forte recall urbano e o Novo amplia sua musculatura no cenário federal sem precisar disputar o topo da chapa neste momento. Nos bastidores, já se fala, inclusive, em cenários pós-2026, ainda que ninguém confirme oficialmente.

Opinião

O MDB, que no cenário federal mantém ligações com o PT, parece agora ser definitivamente excluído do grupo da reeleição do governador Jorginho Mello. Ao mesmo tempo, Jorginho fortalece ainda mais a direita em Santa Catarina ao unir PL e Novo em torno do seu projeto de continuidade no governo.

Fica a dúvida sobre o próximo movimento estratégico: Jorginho manterá o apoio ao senador Espiridião Amin para preservar a aliança com o União Progressista (União Brasil + PP), ou optará por apoiar Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni ao Senado, retirando também o União Progressista do grupo da reeleição?

Nos corredores da política, o comentário predominante é de que Jorginho deve sinalizar apoio a Carlos e Carol, aprofundando ainda mais o alinhamento à direita no Estado. Esse movimento, porém, pode ter um efeito colateral relevante: ao mesmo tempo em que fortalece sua base ideológica, pode acabar impulsionando um adversário direto.

Caso MDB e União Progressista fiquem fora do projeto de reeleição, o caminho mais provável é a aproximação com o projeto de João Rodrigues (PSD) ao governo do Estado. A reeleição de Jorginho, que parecia amplamente encaminhada, segue com grandes chances, mas João Rodrigues — antes visto como distante e isolado — pode estar ganhando dois reforços de peso.

O PL foi o partido que mais elegeu prefeitos na última eleição, com 90 cidades, além de ser o segundo com mais vereadores, somando 511 eleitos. O MDB aparece logo atrás, com 70 prefeitos eleitos e a maior bancada de vereadores do Estado, com 587 cadeiras. O PP manteve-se como terceira força, com 53 prefeituras e 454 vereadores.

Essa mudança no tabuleiro político catarinense pode ter dado novo fôlego ao projeto de João Rodrigues. Ainda assim, na minha avaliação, é difícil imaginar que Jorginho Mello, que vem realizando um mandato consistente e bem avaliado, perca a disputa pela reeleição.