CRIME

Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de matar pacientes em hospital do DF

Investigações apontam injeção de medicamentos e até desinfetante na veia das vítimas em UTI de hospital particular

Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de matar pacientes em hospital do DF
Foto: Reprodução/TV Globo
Publicado em 21/01/2026 às 13:12

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento na morte de três pacientes internados na UTI de um hospital particular em Taguatinga. Os crimes teriam ocorrido entre novembro e dezembro de 2025 e, segundo as investigações, foram praticados de forma intencional.

As vítimas foram identificadas como a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, e os servidores públicos João Clemente Pereira, de 65 anos, e Marcos Moreira, de 33. Todos estavam internados em leitos próximos e foram atendidos pelo mesmo técnico de enfermagem.

De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito aplicava nas vítimas altas doses de um medicamento sem a devida diluição, o que provocava parada cardíaca quase imediata. A investigação aponta que o profissional contou com o apoio de duas outras técnicas de enfermagem.

Ainda conforme apurado, o técnico se aproveitava do sistema do hospital aberto em contas médicas para emitir receitas falsas. Com isso, retirava os medicamentos da farmácia da unidade, manipulava as substâncias e as guardava no jaleco antes de aplicá-las diretamente na veia dos pacientes.

O delegado responsável pelo caso, Wisllei Salomão, afirmou que após as aplicações, os pacientes entravam em parada cardíaca em poucos segundos, enquanto os suspeitos monitoravam os sinais vitais. Para tentar disfarçar a autoria, o técnico realizava manobras de reanimação nas vítimas.

Em um dos casos mais graves, a professora aposentada Miranilde resistiu a seis paradas cardíacas após receber quatro doses do medicamento. Diante disso, o técnico teria aplicado 13 seringas com desinfetante diretamente na veia da paciente, segundo a polícia.

O hospital Anchieta informou, em nota, que identificou circunstâncias atípicas na UTI e instaurou um comitê interno de investigação. Em menos de 20 dias, a apuração interna apontou evidências envolvendo os técnicos, que foram imediatamente demitidos.

Os suspeitos foram presos na semana passada. Inicialmente, negaram os crimes, mas dois deles confessaram após serem confrontados com imagens do circuito interno de segurança. A polícia não divulgou os nomes dos envolvidos e segue investigando a motivação dos crimes, além de apurar se há outras vítimas em hospitais onde os profissionais atuaram.

A família de João Clemente afirmou que ele não tinha histórico de problemas cardíacos e que jamais imaginou a possibilidade de um crime premeditado. Segundo a filha da vítima, a confiança nos profissionais de saúde tornou a descoberta ainda mais dolorosa.

Fonte: Conteúdo baseado em informações da Polícia Civil do Distrito Federal

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