POLÍTICA

Bolsonaro e Seus Cúmplices: A Guerra Contra a Democracia

Bolsonaro atacou o STF e envolveu governadores em sua guerra contra as instituições democráticas, colocando em risco o Estado de Direito.

Bolsonaro e Seus Cúmplices: A Guerra Contra a Democracia
Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo
Publicado em 08/04/2025 às 15:24

No último domingo, durante os 26 minutos de discurso na Avenida Paulista, o ex-presidente Jair Bolsonaro revelou, de forma explícita, sua guerra declarada contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e as instituições democráticas. Em um momento em que a prudência seria esperada por qualquer réu prestes a ser julgado, Bolsonaro, como de costume, ignorou a normalidade e preferiu se dedicar a inflamar a militância, deixando de lado argumentos jurídicos em prol de um confronto político que visa consolidar sua narrativa de “vítima”.

O ex-presidente falou pouco sobre a anistia aos golpistas e focou muito mais em se apresentar como inocente e reforçar sua eventual candidatura em 2026. Em uma retórica incendiária, sugeriu que a ausência de seu nome nas urnas seria uma negação da democracia e voltou a atacar o sistema eleitoral, colocando em dúvida a legitimidade das eleições de 2022. Com um tom conspiratório, insinuou que o ministro Alexandre de Moraes teria “golpeado” o Brasil para eleger Lula, e que sua saída do país em dezembro foi uma decisão estratégica, antecipando sua possível prisão após os eventos de 8 de janeiro.

O que realmente chama a atenção neste discurso, contudo, é o novo contexto político que o acompanha. Ao seu lado, Bolsonaro contou com a presença de sete governadores, sendo quatro deles possíveis candidatos à presidência nas eleições de 2026. Tarcísio de Freitas (SP), Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG), Ratinho Junior (PR), Wilson Lima (AM), Jorginho Mello (SC) e Mauro Mendes (MT) marcaram presença no palco, selando, de certa forma, sua aliança com o ex-presidente em um discurso de confronto ao STF.

O apoio de governadores com ambições presidenciais, que até então não se mostravam tão abertamente alinhados a Bolsonaro, representa um novo capítulo na estratégia do ex-presidente, que tenta arrastar esses líderes para o centro de sua guerra política. Ao incluí-los em sua retórica contra o Judiciário, ele não só os atrai para uma causa indefensável — o perdão a um golpista — como também os faz endossar a falácia de uma ditadura judicial que, na realidade, só existe no imaginário de Bolsonaro e seus seguidores.

No entanto, o gesto dos governadores, seja por lealdade política ou cálculo eleitoral, coloca-os em uma posição delicada. Tarcísio de Freitas, por exemplo, se esforçou para justificar a anistia a golpistas, argumentando que não seria “uma heresia”, e afirmou que preferiria ver criminosos como ladrões de celular e corruptos na cadeia. Sua tentativa de minimizar o golpe como algo secundário revela a profundidade do descompasso entre a retórica bolsonarista e o respeito às normas democráticas.

Apesar de sua popularidade entre uma parcela da população, os gestos de Bolsonaro e seus aliados políticos — por mais que busquem agradar uma base fiel — colocam em risco a credibilidade do compromisso com a democracia e com as instituições republicanas. O discurso incendiário e as alianças arriscadas criam um cenário onde a defesa do Estado democrático de direito se torna cada vez mais fundamental, especialmente diante de um movimento que ameaça desestabilizar as bases do regime constitucional.