CRIMES

Feminicídios, violência extrema e chacinas: os crimes que marcaram Santa Catarina em 2025

Casos brutais espalhados pelo Estado mobilizaram investigações intensas e chocaram o país

Feminicídios, violência extrema e chacinas: os crimes que marcaram Santa Catarina em 2025
Publicado em 30/12/2025 às 10:23

O ano de 2025 ficará marcado como um dos mais violentos da história recente de Santa Catarina. Feminicídios, mortes brutais, tentativas de assassinato e até uma chacina familiar chocaram moradores em diferentes regiões do Estado, mobilizando forças de segurança e gerando ampla repercussão nacional. A seguir, relembre, em ordem cronológica, alguns dos crimes que mais comoveram a população catarinense ao longo do ano.

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Morte de menino de 4 anos com mãe e padrasto presos

No dia 17 de agosto, a morte de uma criança de apenas quatro anos causou indignação em todo o Estado. O menino deu entrada desacordado no MultiHospital, no Sul de Florianópolis, em parada cardiorrespiratória, com claros indícios de agressão. A mãe e o padrasto foram presos em flagrante.

Apesar da prisão inicial, a mulher acabou solta em audiência de custódia por estar grávida. Onze dias depois, o casal foi indiciado por homicídio qualificado pelo emprego de meio cruel e contra menor de 14 anos. O padrasto se tornou réu por homicídio qualificado e tortura.

Somente em 3 de dezembro, durante audiência, o homem confessou as agressões, relatando um “ataque de fúria” motivado por problemas financeiros e conjugais. Ele afirmou ter agredido o menino com socos e tapas, principalmente na barriga, provocando um traumatismo abdominal que levou a um choque hemorrágico fatal, conforme laudo pericial.

Em 16 de dezembro, a mãe da criança também se tornou ré por homicídio qualificado e tortura. O processo segue em andamento.

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Fisiculturista morto com 21 facadas em Chapecó

No dia 7 de setembro, Chapecó foi palco de um crime de extrema violência. O fisiculturista Valter de Vargas Aita, de 41 anos, foi assassinado com 21 facadas pela própria companheira.

O corpo foi encontrado nu e ensanguentado na escadaria do prédio onde morava, no Centro da cidade. A investigação revelou que ele foi atacado dentro do apartamento e, ferido, tentou fugir em busca de ajuda, mas acabou sendo morto nas escadas.

Segundo a Polícia Civil, o crime foi motivado por ciúmes. Mensagens, áudios e vídeos demonstraram que a autora suspeitava de traição e já havia feito ameaças explícitas. Ela foi presa em flagrante e permanece detida. A mulher já possuía condenação anterior por latrocínio e pode pegar até 30 anos de prisão, pena que poderá ser somada à anterior.

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Chacina em Joinville

A madrugada de 11 de setembro marcou uma das cenas mais chocantes do ano. Em uma casa no bairro Saguaçu, em Joinville, uma chacina deixou três mortos, incluindo duas crianças.

O autor, Ramzi Mohsen Hamdar, de 49 anos, matou a esposa Ingrid Iolly Araujo Silva Berilo e os dois filhos dela, de 11 e 15 anos. A sogra, Rita de Cássia Pereira Araújo Silva, de 65 anos, foi baleada, mas sobreviveu após conseguir pedir socorro.

Após os assassinatos, Ramzi tirou a própria vida. Ele foi indiciado por feminicídio, tentativa de feminicídio e homicídio. Familiares relataram que ele era controlador e mantinha uma relação conflituosa com os enteados, embora não houvesse registros de brigas na noite do crime.

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Professor morto a tiros dentro de carro em São José

No dia 15 de setembro, o professor Lucas Antonio de Lacerda, de 39 anos, foi executado a tiros dentro de um carro no bairro Ipiranga, em São José.

O crime foi motivado por vingança. O autor não aceitava a morte do filho em um acidente de trânsito ocorrido em 2024, no qual Lucas esteve envolvido. Apesar de o inquérito policial ter apontado ausência de culpa do professor, o Ministério Público havia oferecido denúncia por homicídio culposo meses antes.

Câmeras flagraram o sobrinho do autor participando da ação. Com a morte de Lucas, o processo judicial foi extinto.

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Tentativa de feminicídio deixa jovem com mão amputada

Em 24 de outubro, a jovem Kessya Souza, de 18 anos, sobreviveu a uma tentativa brutal de feminicídio em Rio Negrinho, no Norte do Estado. Dois dias após terminar um relacionamento de mais de quatro anos, ela passou a receber ameaças do ex-namorado.

O agressor invadiu o mercado onde Kessya trabalhava armado com um facão e desferiu diversos golpes. Imagens de câmeras de segurança registraram o ataque. A jovem teve a mão direita amputada devido à gravidade dos ferimentos.

Outras duas pessoas que tentaram protegê-la também ficaram feridas. O agressor foi preso em flagrante e responderá por tentativa de feminicídio e duas tentativas de homicídio qualificado.

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Caso Catarina

O assassinato de Catarina Kasten, de 31 anos, em 21 de novembro, em Florianópolis, causou comoção nacional. Professora de inglês e estudante de pós-graduação da UFSC, Catarina foi atacada enquanto caminhava pela Trilha do Matadeiro rumo à Praia da Armação.

Ela foi surpreendida por um homem de 21 anos, estuprada e morta por estrangulamento. O corpo foi ocultado na mata. O suspeito confessou o crime e virou réu por feminicídio, estupro e ocultação de cadáver. O processo corre em sigilo.

O caso gerou protestos, manifestações e reacendeu debates sobre a segurança de mulheres em espaços públicos.

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Investigação de estupro contra idosa pode ter ligação

Após o caso Catarina, a polícia reabriu a investigação de um estupro ocorrido em 2022, envolvendo uma idosa de 69 anos no bairro Açores. O suspeito, à época menor de idade, pode ser o mesmo autor do assassinato de Catarina. O caso segue sob investigação.

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Novembro: mês recorde de feminicídios em SC

O assassinato de Catarina ocorreu em um mês histórico e alarmante. Novembro de 2025 registrou nove feminicídios em Santa Catarina, o maior número em um único mês no Estado.

Até então, o Observatório da Violência Contra a Mulher contabilizava 48 feminicídios no ano, o que representa uma mulher morta a cada oito dias. O tema chegou ao STF, com o ministro Edson Fachin destacando a urgência de romper o silêncio e combater padrões estruturais de violência de gênero.

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Irmão de músico de Alexandre Pires assassinado em boate

Em dezembro, o desaparecimento de Marcus Vinicius Pinheiro Machado e Souza, de 36 anos, terminou de forma trágica em Palhoça. Ele era irmão de Luiz Tiazinha, músico da banda de Alexandre Pires.

Marcus foi morto com um golpe de “mata-leão” dentro de uma boate na Praia da Pinheira, após um desentendimento sobre pagamento. O corpo ficou escondido por cerca de 10 horas no local e depois foi enterrado em área rural. O suspeito, segurança da boate, foi preso e confessou o crime.