TRÂNSITO

Trânsito cada vez mais letal: Santa Catarina registra maior nível de óbitos desde 2017

Números voltam a crescer e colocam o Estado no pior patamar desde 2017

Trânsito cada vez mais letal: Santa Catarina registra maior nível de óbitos desde 2017
Publicado em 30/12/2025 às 10:05

Santa Catarina voltou a registrar um aumento expressivo nas mortes causadas por acidentes de trânsito, atingindo em 2023 o maior número de óbitos desde 2017. De acordo com dados do Datasus, do Ministério da Saúde, foram contabilizadas 1.465 mortes no Estado, considerando pedestres, ciclistas, motociclistas e ocupantes de automóveis, caminhões e ônibus.

A escalada começou a ser percebida a partir de 2021, após uma leve queda em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19. Entre 2020 e 2023, o crescimento foi de 7,8%, seguindo uma tendência observada em todo o país.

Entre as categorias mais afetadas, os motociclistas lideram o ranking de vítimas, com 517 mortes em 2023 — mais de um terço do total. Na sequência aparecem os ocupantes de automóveis, com 422 óbitos, e os pedestres, com 213 registros.

No cenário nacional, os números também preocupam. Em 2019, o Brasil registrou 31.945 mortes no trânsito. Esse total subiu gradualmente até alcançar 34.881 em 2023, representando uma alta de 6,6% desde 2020.

Especialistas alertam que o risco aumenta especialmente no fim de ano e durante períodos de férias, quando o fluxo de veículos nas rodovias cresce de forma significativa. Para o especialista em Segurança no Trânsito e policial militar rodoviário aposentado Emerson Andrade, cerca de 90% dos acidentes são provocados por atitudes imprudentes dos próprios condutores.

Segundo ele, comportamentos como ultrapassagens perigosas, excesso de velocidade e falta de controle emocional estão entre os principais fatores. Andrade chama atenção para o fato de que, mesmo em rodovias bem estruturadas, como a BR-101 em Santa Catarina, as mortes continuam acontecendo devido à pressa, ansiedade e decisões irresponsáveis ao volante.

“O protagonista ainda é o condutor. Ele precisa refletir sobre seu papel no trânsito, respeitar os limites de velocidade, planejar a viagem e manter a calma”, orienta.

A preocupação com a segurança viária ultrapassa fronteiras. A ONU e a Organização Mundial da Saúde estabeleceram como meta reduzir em 50% as mortes e lesões no trânsito até 2030, mas relatórios recentes indicam avanços tímidos na maioria dos países.

No Brasil, especialistas defendem que apenas a combinação de políticas públicas eficazes, fiscalização rigorosa, campanhas de conscientização e manutenção adequada dos veículos pode reverter esse cenário. Para Adriana Castro, presidente da Federação Nacional da Inspeção Veicular (Fenive), sem ações concretas, o país dificilmente atingirá as metas globais de redução de mortes no trânsito.