FALÊNCIA

Bens da gigante falida do E-comnerce não pagaria nem 1% da dívida com credores

Ativos recolhidos após a falência expõem a dimensão real das dívidas acumuladas pela empresa

Bens da gigante falida do E-comnerce não pagaria nem 1% da dívida com credores
Publicado em 12/12/2025 às 6:06

A situação da Yeesco, gigante catarinense do e-commerce que teve sua falência decretada em outubro, ganhou novo capítulo com um levantamento recente do escritório Medeiros Administração Judicial, responsável pela condução do processo. De acordo com o auto de arrecadação apresentado no mês passado, o patrimônio encontrado da empresa não seria suficiente sequer para cobrir 1% do montante devido aos credores.

Os bens localizados — entre eles ativos de duas lojas físicas e veículos — somam aproximadamente R$ 650 mil, valor muito distante da dívida sujeita à recuperação judicial, estimada em R$ 73 milhões. A diferença é tão grande que os ativos representam apenas 0,89% do total devido.

O escritório informou que há propostas para compra de alguns bens, mas que nenhuma delas foi homologada pela Justiça até agora. A dívida da empresa envolve fornecedores, compromissos trabalhistas e um grande volume de consumidores que nunca receberam as mercadorias adquiridas pela internet — nem tampouco foram reembolsados.

Entre os credores, há casos especialmente expressivos. Para uma única empresa, a Yeesco deve cerca de R$ 38,6 milhões, evidenciando a complexidade do processo e a profundidade do rombo financeiro.

Como determina a legislação, a prioridade para pagamento será dos salários vencidos nos três meses anteriores à decretação da falência, limitados a cinco salários mínimos por trabalhador. Esses valores devem ser quitados assim que houver recursos disponíveis.

A Administração Judicial também informou ter recebido um grande número de pedidos de habilitação de crédito relacionados a atrasos, não entrega ou devolução de produtos. No entanto, o passivo total ainda não pôde ser calculado, pois muitos desses requerimentos estão em fase de análise.

O caso segue em andamento e deve se estender até que todos os bens sejam avaliados, vendidos e os créditos reconhecidos.

Foto: Patrick Rodrigues, Arquivo NSC