MEGALOJA
A megaloja japonesa em Blumenau pode mudar o jogo, e a Havan já reagiu
Com expansão acelerada da Daiso no país, Luciano Hang prepara um contra-ataque bilionário para defender espaço no varejo físico

A chegada da Daiso Japan a Blumenau elevou a temperatura no varejo catarinense e reacendeu a disputa por espaço no mercado físico brasileiro. A megaloja inaugurada no Shopping H torna-se um marco estratégico para a rede japonesa, ao mesmo tempo em que pressiona diretamente a Havan, comandada por Luciano Hang, que anunciou um plano de expansão bilionário.
O movimento transforma Blumenau em vitrine e campo simbólico de uma nova competição entre formatos de varejo: compactos, ágeis e de alta rotatividade — versus megastores estruturadas como destinos familiares.
O recado da Daiso
Fundada em 2012 no Brasil, a Daiso expandiu discretamente nos primeiros anos, mas agora acelera o ritmo. A unidade instalada em Blumenau — terceira em Santa Catarina e primeira no Vale do Itajaí — reúne cerca de 400 metros quadrados e aposta em:
- sortimento denso de utilidades domésticas,
- papelaria,
- itens organizacionais,
- decoração,
- alimentos orientais.
A estratégia é simples e poderosa: alto giro, variedade compacta e preço percebido como acessível — elementos capazes de atrair consumidores em busca de novidade, estilo e economia.
O formato também dialoga com um comportamento crescente: compras menores, frequentes e impulsivas, feitas durante visitas ao shopping, sem depender de longos deslocamentos.
Por que isso pressiona Luciano Hang?
Blumenau não é apenas mais um ponto no mapa: é o berço da Havan, onde a rede consolidou sua imagem, suas primeiras experiências e parte da identidade comercial. Por isso, cada novo entrante relevante na região é visto como sinal estratégico — e a Daiso sabe disso.
Instalar-se em um shopping da cidade significa disputar:
- fluxo recorrente;
- fidelidade de público;
- comportamento de compra já consolidado.
E mais: competir no mesmo ecossistema onde a Havan opera como referência de compras de maior escala.
A resposta: R$ 2 bilhões e 200 novas lojas
Com a expansão da Daiso e outros players internacionais de varejo, Luciano Hang anunciou um novo plano de investimento: 2 bilhões de reais para abrir 200 lojas até 2026.
A estratégia reforça três frentes principais:
- Presença territorial — mais cidades, mais visibilidade e maior capilaridade.
- Defesa de mercado — principalmente em regiões onde redes estrangeiras começam a ganhar espaço.
- Escala logística — essencial para manter preços competitivos e atrair fornecedores.
O recado é claro: a Havan não pretende abrir espaço para concorrência sem responder com velocidade e tamanho.
Blumenau como laboratório
A convivência entre os dois modelos na mesma região permitirá medir:
- se consumidores estão dispostos a substituir compras grandes por visitas mais frequentes a lojas menores;
- se a Havan conseguirá manter fluxo e interesse com tecnologia, experiência e campanhas;
- se redes locais e nacionais vão acompanhar o movimento ou perder espaço.
A Daiso aposta no fator cultura pop japonesa e descoberta constante, enquanto a Havan mantém o foco em variedade massiva, estacionamentos amplos, lojas gigantes e experiência como passeio familiar.
O que está em jogo
Para a Daiso, Blumenau representa um passo estratégico para ganhar escala nacional, consolidar presença e construir familiaridade com o consumidor brasileiro.
Para a Havan, significa a necessidade de responder ao avanço de modelos flexíveis e internacionais que chegam com apelo jovem e preços competitivos.
A batalha entre os dois modelos — megastore e loja compacta de alto giro — pode redefinir tendências no varejo físico brasileiro num momento de juros altos, desaceleração do consumo e mudanças de hábito.
E, para o consumidor, o resultado imediato é simples: mais competição, mais opções e potencialmente melhores preços.



