AUTOPROMOÇÃO
Ex-prefeito de Gaspar vira réu por suposta autopromoção em vídeos institucionais
Ministério Público aponta uso de recursos públicos para promover imagem pessoal entre 2018 e 2021

O ex-prefeito de Gaspar, Kleber Wan-Dall, passou a responder oficialmente a uma ação penal após o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) aceitar uma denúncia apresentada pelo Ministério Público. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (27) pela desembargadora Cinthia Bittencourt Schaefer, que entendeu haver indícios suficientes para o andamento do processo.
A acusação aponta que, entre os anos de 2018 e 2021, durante o exercício do mandato, Wan-Dall teria vinculado sua imagem pessoal ao programa municipal de investimentos “Avança Gaspar”, utilizando logotipo, slogan e vídeos institucionais pagos com recursos públicos. Segundo o Ministério Público, o material teria sido produzido com R$ 75,2 mil de verbas municipais, com finalidade que ultrapassava a comunicação institucional, promovendo a gestão à frente das anteriores.
Para a acusação, as peças publicitárias exibiam uma “excessiva exposição da figura de Wan-Dall”, com expressões que enalteciam sua administração. A defesa alegou que o conteúdo tinha caráter meramente informativo, que a denúncia não atenderia aos requisitos legais e que não existiriam provas mínimas. No entanto, esses argumentos foram rejeitados pelo Tribunal.
Ao votar, a desembargadora destacou que, para o recebimento da denúncia, não é necessária certeza absoluta sobre o crime, mas indícios que apontem a probabilidade de autoria e materialidade.
Com a decisão, o ex-prefeito será citado pessoalmente e terá cinco dias para apresentar defesa prévia. O processo seguirá para a fase de instrução, com coleta de provas e depoimentos.
📣 O que diz Kleber Wan-Dall
Wan-Dall informou que acompanhou a votação por meio de seu advogado e afirmou estar “com a consciência tranquila”. Segundo ele, em 2024 o Ministério Público propôs um Acordo de Não Persecução Penal, mas ele recusou por entender que não houve irregularidade.
“Não aceitei porque isso significaria assumir a prática de um crime. Sempre procurei agir com zelo. Inclusive contratei, com recursos próprios, uma agência para cuidar das minhas redes sociais e não usei estrutura pública para isso. É um absurdo”, declarou.
O ex-prefeito afirmou ainda que considera normal a divulgação de ações do mandato por gestores públicos, prática comum entre políticos de diversas siglas. Ele reforçou que apresentará provas em sua defesa ao longo do processo.
A ação será analisada como possível crime de responsabilidade.



