ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
“Foi amor à primeira aula”: a história de Gracieli, que transformou o acaso em propósito
Com 13 anos de experiência, Gracieli fala sobre sua transição de professora para coordenadora e o papel da inclusão nas escolas

A história da professora Gracieli é um exemplo de como a vida pode nos conduzir ao verdadeiro propósito. Sem imaginar que seguiria o caminho da educação, ela iniciou a faculdade de Pedagogia em 2013 apenas como uma oportunidade de carreira — mas, após dois meses, ao assumir sua primeira turma, descobriu sua paixão por ensinar. Hoje, com 13 anos de experiência, é Assistente Técnica Pedagógica (ATP) e também coordenadora da Educação Especial na rede estadual, funções que desempenha com dedicação e amor pelo que faz.
Nesta entrevista especial para o Dia do Professor, Gracieli compartilha um pouco de sua trajetória, desafios, conquistas e reflexões sobre o papel transformador da educação.
MNDV: Gracieli, como foi o início da sua trajetória na educação e o que te inspirou a seguir essa carreira?
Gracieli: Nunca tive o sonho de infância de ser professora. Ao concluir o ensino médio, meu desejo inicial era atuar na área da saúde. Iniciei o curso de Psicologia, mas logo percebi que não era o caminho que eu queria seguir.
Uma conversa com uma prima mudou tudo: ela me apresentou o universo da docência, e decidi ingressar na faculdade de Pedagogia. Dois meses depois, já estava em sala com alunos do 3º ano do Ensino Fundamental — e foi amor à primeira aula. A partir dali, nunca mais deixei a profissão.
Percebo hoje que a vocação sempre esteve na minha família: minha avó, minha prima e minha tia são professoras. A educação sempre esteve no meu sangue, mesmo que eu não percebesse.
MNDV: Você atuou por muitos anos como professora do ensino fundamental. Quais foram os maiores aprendizados dessa fase em sala de aula?
Gracieli: Atuei por 13 anos como professora, em diferentes funções: estagiária na Educação Infantil, auxiliar de direção, professora de AEE e do programa PROMAIS.
O maior aprendizado foi compreender que cada aluno é único, com seu ritmo e suas formas de aprender. Ensinar vai muito além de transmitir conteúdo — é acolher, adaptar estratégias e acreditar nas possibilidades de cada criança.
Aprendi também o valor da empatia, da escuta e da colaboração entre os profissionais da escola. Essas experiências me ensinaram a importância de nunca parar de aprender e de me reinventar constantemente.
MNDV: Em abril, você passou a exercer o cargo de Assistente Técnico Pedagógica. Como foi essa transição de professora para coordenadora?
Gracieli: Foi um grande desafio. A rotina é completamente diferente, exigindo novas habilidades e uma visão mais ampla da escola. No início, foi difícil me adaptar ao ritmo intenso e às novas responsabilidades, especialmente em uma escola de grande porte, com cerca de 900 alunos.
Mas tenho aprendido muito. Hoje percebo que coordenar também é uma forma de educar — só que agora apoiando quem ensina, contribuindo para o crescimento coletivo e para a qualidade da educação de forma mais ampla.
MNDV: Qual é o papel de um ATP dentro da rede estadual e como esse trabalho contribui para o fortalecimento da educação?
Gracieli: O ATP atua como elo entre gestão, professores e alunos, acompanhando e fortalecendo a prática pedagógica. É uma função que exige escuta, sensibilidade e muita organização.
Vejo esse papel como uma extensão da docência — uma forma diferente de ensinar, apoiando quem está em sala. É desafiador, mas extremamente gratificante ver o reflexo desse trabalho na aprendizagem dos alunos.
MNDV: Hoje, você coordena a Educação Especial na rede estadual. Quais são os maiores desafios e conquistas dessa área?
Gracieli: É uma das experiências mais ricas da minha trajetória. O maior desafio é garantir que a inclusão aconteça de forma verdadeira, respeitando as necessidades de cada aluno.
Mas as conquistas são emocionantes: ver o progresso dos estudantes, o envolvimento dos professores e o olhar da escola se transformando me enche de orgulho. Cada pequena evolução é uma vitória. Trabalhar com a Educação Especial me faz lembrar todos os dias por que escolhi ser professora.
MNDV: De que forma a inclusão e o olhar individualizado para cada aluno transformam a escola?
Gracieli: A inclusão transforma a escola em um espaço mais humano e acolhedor. Quando cada estudante é reconhecido em sua singularidade, o aprendizado se torna mais efetivo e significativo.
Tenho o privilégio de trabalhar com professoras competentes e comprometidas, que fazem da inclusão uma prática diária. Mais do que garantir acesso, ela muda atitudes, fortalece vínculos e enriquece toda a comunidade escolar.
MNDV: Mesmo fora da sala de aula, você ainda se sente professora?
Gracieli: Com certeza. Ainda me sinto professora em cada conversa com os colegas, em cada planejamento que ajudo a construir e em cada orientação que ofereço.
Ser professora é um modo de olhar o mundo, de cuidar e de acreditar nas possibilidades de cada pessoa. Mesmo fora da sala, sigo ensinando — só que agora de um outro lugar.
MNDV: Que mensagem você deixaria para os professores e professoras que estão todos os dias fazendo a diferença nas escolas?
Gracieli: A todos os professores, deixo minha admiração e reconhecimento. O trabalho de vocês transforma vidas, mesmo que nem sempre seja visível.
Continuem acreditando na força da educação e no potencial de cada aluno. Ensinar é mais do que repassar conteúdo — é inspirar, acolher e abrir caminhos. Vocês são a base da transformação que queremos ver no mundo.
A trajetória de Gracieli mostra que a educação é feita de encontros e descobertas. De quem ensina e aprende todos os dias. De quem transforma desafios em oportunidades e faz da sala de aula — ou da coordenação — um espaço de amor e esperança.



