ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
Da inspiração na infância ao impacto no ensino médio: a trajetória da professora Vanuza
Pedagoga relembra professora que marcou sua vida, fala sobre a inclusão e reforça a afetividade como ferramenta de ensino

No Especial do Dia do Professor desta semana, o Mais Notícias do Vale traz a história inspiradora da professora Vanuza Noronha Gomes, pedagoga que construiu sua carreira no Ensino Fundamental, e que neste ano abraçou um novo desafio: atuar como segunda professora no CEDUP, acompanhando alunos do Ensino Médio — entre eles, quatro estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Apaixonada pela educação e defensora da afetividade como instrumento de aprendizagem, Vanuza compartilha sua trajetória, desafios, conquistas e visão de ensino.
ENTREVISTA
MNDV: O que te motivou a escolher a Pedagogia e dedicar sua carreira à educação?
Vanuza: Quando surgiu a possibilidade de cursar Pedagogia, eu me questionei: será que eu consigo? Então, lembrei de uma professora que tive no ensino fundamental, e percebi que ela foi essencial nessa escolha. Pensei: se eu conseguir ser uma professora como ela, serei uma professora maravilhosa.
Ela tinha o dom de ensinar, demonstrava empatia, amor pelo que fazia e muita paciência. Assim como ela fez diferença na minha vida escolar, especialmente num momento em que eu enfrentava dificuldades, eu também quis poder transformar a vida de outras crianças. E, sem perceber, acabei me apaixonando pela Pedagogia — e, principalmente, por ser professora.
MNDV: Como tem sido essa experiência de atuar no CEDUP como segunda professora neste ano?
Vanuza: Tem sido uma experiência muito especial e, ao mesmo tempo, um grande desafio. Fazia muito tempo que eu não trabalhava como segunda professora, já que sempre atuei como regente nas séries iniciais. Então, este ano, resolvi me aventurar e aceitar algo novo: atuar no ensino médio.
Por ser uma escola técnica, tudo se tornou ainda mais desafiador e interessante. No começo, senti receio, mas logo percebi que cada dia é uma oportunidade de aprender e crescer junto com os alunos.
Ser segunda professora exige conexão, dedicação e muito amor. Nosso papel é fazer com que o conteúdo chegue de forma clara aos estudantes, ajudando-os a se organizar e compreender melhor os assuntos.
Hoje, posso dizer que estou encantada. Meus alunos são maravilhosos, acolhedores e cheios de potencial. Criar vínculos, compreender suas dificuldades e celebrar cada conquista é o que mais me motiva.
MNDV: Quais os maiores aprendizados que essa nova função tem te proporcionado?
Vanuza: O maior aprendizado tem sido aprender a ensinar com uma nova linguagem e metodologia. Depois de tantos anos com crianças, precisei ajustar a forma de me comunicar e abordar os conteúdos com adolescentes.
Sou naturalmente afetiva e carinhosa, e aprendi a equilibrar firmeza com doçura. Acredito que o aprendizado acontece melhor quando existe conexão e afeto. E manter minha essência tem sido meu guia.
MNDV: Você está trabalhando com alunos com TEA. Como é o dia a dia com eles e o que mais te inspira nesse trabalho?
Vanuza: No início, confesso que fiquei com medo. Quando soube da quantidade de alunos, achei que não conseguiria. Mas me desafiei — e para minha surpresa, tem sido maravilhoso.
Consigo me conectar com cada um, manter calma e paciência, e eles também criaram vínculo comigo. A troca é tão rica que sinto que aprendo mais com eles do que eles comigo.
Existem dias desafiadores, mas todos trazem aprendizados. Esse trabalho tem sido extremamente gratificante e inspirador.
MNDV: Que estratégias ou práticas você considera essenciais para promover a inclusão em sala de aula?
Vanuza: Acredito que o diálogo é primordial, assim como a empatia. A turma com quem trabalho é maravilhosa: se coloca no lugar do outro, ouve, colabora e acolhe.
Eles enxergam todos como iguais, e isso faz a inclusão acontecer de forma natural. Meu papel é fazer ajustes, promover conversas e reforçar a empatia.
MNDV: Qual foi o momento mais marcante da sua trajetória como professora até hoje?
Vanuza: Um dos momentos mais marcantes foi quando voltei a ser professora de duas turmas que já havia acompanhado no terceiro ano. Quando entrei em sala e eles me reconheceram, correram para me abraçar.
Naquele ano, realizei meu sonho com o projeto “Chá com Poesia”, em que os alunos criaram livros de poesias. O projeto foi um sucesso e marcou profundamente alunos, pais e a mim.
Recebi cartas no final do ano dizendo que aquele havia sido o melhor ano escolar das vidas deles. Isso não tem preço.
MNDV: Que conselho você daria para quem está começando agora na carreira docente?
Vanuza: Só devemos ser professores se realmente amamos o que fazemos. É preciso paciência, responsabilidade, amor e empatia.
Na pedagogia, enfrentamos altos e baixos. Para seguir, é preciso amar profundamente. Não existe ser professor apenas pelo dinheiro.
MNDV: Como você se sente ao ver o impacto do seu trabalho na vida dos alunos e na construção de um futuro melhor?
Vanuza: Fico muito feliz e orgulhosa. Sempre busquei marcar a vida dos alunos positivamente.
Minhas aulas sempre envolveram amor, empatia e diálogo. Assim como alguém fez a diferença na minha vida, busco fazer na vida deles.
A trajetória da professora Vanuza é um exemplo de como a educação vai além do conteúdo: é vínculo, cuidado, escuta, sensibilidade e transformação. Sua história mostra que ensinar com afeto não é um detalhe — é um caminho que gera impacto capaz de durar para sempre.



