ESPECIAL DIA DO PROFESSOR

Amor, arte e inclusão: a missão da professora Ana Lécia na Educação Especial

Formada em Pedagogia, Artes Visuais e Ciências da Religião, professora dedica sua trajetória à inclusão e ao respeito às diferenças

Amor, arte e inclusão: a missão da professora Ana Lécia na Educação Especial
Foto: Arquivo Pessoal
Publicado em 04/11/2025 às 6:05

Em mais uma entrevista do Especial Dia do Professor, o Mais Notícias do Vale conversa com Ana Lécia de Araújo Krambeck, segunda professora da Educação Especial em Indaial. Formada em Pedagogia, Artes Visuais e Ciências da Religião, Ana Lécia compartilha sua trajetória marcada por dedicação, sensibilidade e compromisso com a inclusão de alunos com necessidades específicas na rede regular de ensino.

Ao longo da conversa, ela revela o quanto a Educação vai além do conteúdo e das metodologias: é, antes de tudo, um ato de amor, empatia e transformação.

ENTREVISTA
MNDV: O que a motivou a escolher a Educação como caminho profissional e, especialmente, a dedicar-se à Educação Especial?
Ana Lécia:
Desde muito jovem, sempre tive um desejo profundo de contribuir para o desenvolvimento das pessoas, e a Educação se apresentou como a forma mais significativa de realizar isso. A Educação Especial me chamou atenção porque vi nela a oportunidade de promover igualdade, acessibilidade e respeito às diferenças. Trabalhar com alunos que têm necessidades específicas é um desafio, mas também uma enorme fonte de aprendizado e transformação pessoal.

MNDV: Como você vê o papel da segunda professora dentro do processo de inclusão e aprendizado dos alunos com necessidades específicas?
Ana Lécia:
A segunda professora é fundamental para garantir que cada aluno tenha o suporte necessário para se desenvolver dentro do ambiente escolar comum. Ela atua como uma ponte, facilitando a comunicação, adaptando materiais e estratégias, e, principalmente, oferecendo um olhar atento às necessidades individuais, ajudando a construir um ambiente acolhedor e inclusivo.

MNDV: A sua formação em Pedagogia, Artes Visuais e Ciências da Religião traz uma combinação única. De que forma essas áreas se complementam no seu trabalho em sala de aula?
Ana Lécia:
Cada uma dessas áreas enriquece minha prática de formas distintas. A Pedagogia oferece a base teórica e metodológica, as Artes Visuais trazem recursos para estimular a criatividade e a expressão, e as Ciências da Religião me ajudam a compreender a dimensão espiritual do ser humano, promovendo um ambiente de respeito, empatia e acolhimento. Juntas, elas me permitem trabalhar o aluno de forma integral.

MNDV: Quais são os maiores desafios enfrentados por quem atua na Educação Especial e como você busca superá-los no dia a dia?
Ana Lécia:
Um dos maiores desafios é a falta de recursos e de formação adequada para lidar com a diversidade. Além disso, ainda há preconceitos e barreiras culturais que dificultam a inclusão plena. Para superar isso, busco constante atualização, trabalho colaborativo com a equipe escolar e, principalmente, pratico a paciência e o afeto, pois acredito que o relacionamento humano é o que mais transforma.

MNDV: Existe algum momento marcante na sua trajetória como professora que simbolize a importância da inclusão e do afeto na Educação?
Ana Lécia:
Sim, lembro de um aluno que, no início, tinha muita dificuldade para se comunicar e interagir com os colegas. Com o tempo, através do trabalho conjunto, do suporte e do carinho, ele conseguiu se expressar melhor e passou a participar mais ativamente das atividades. Ver o brilho nos olhos dele e a alegria da turma me confirmou que a inclusão verdadeira passa pelo afeto e pela valorização das diferenças.

MNDV: Na sua visão, o que ainda precisa mudar nas escolas e na sociedade para que a inclusão seja plena e efetiva?
Ana Lécia:
É necessário investir mais em formação continuada dos professores, garantir infraestrutura adequada e mudar a mentalidade de que a inclusão é apenas uma questão física ou burocrática. Inclusão é, antes de tudo, uma questão de respeito, empatia e de práticas pedagógicas que valorizem as singularidades de cada aluno.

MNDV: Como você enxerga o impacto da arte e da espiritualidade no desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças com deficiência ou dificuldades de aprendizagem?
Ana Lécia:
A arte é uma linguagem universal que ajuda a criança a se expressar, desenvolver habilidades motoras e cognitivas, além de estimular a criatividade. A espiritualidade, por sua vez, fortalece a autoestima, a resiliência e o senso de pertencimento. Ambas são ferramentas poderosas para promover o equilíbrio emocional e o crescimento integral dos alunos.

MNDV: Para encerrar, qual mensagem você deixaria aos colegas educadores neste Dia do Professor, especialmente àqueles que acreditam na força da inclusão e do amor pela educação?
Ana Lécia:
Eu diria que ser professor é, acima de tudo, ser um agente de transformação. Que possamos sempre lembrar do poder que temos nas mãos para construir um mundo mais justo e acolhedor. Que o amor pela educação e a crença na inclusão sejam nossa inspiração diária para nunca desistir, mesmo diante dos desafios.

A história da professora Ana Lécia é um lembrete inspirador de que a Educação é um caminho de empatia, criatividade e amor. Sua trajetória mostra que a verdadeira inclusão começa com o coração aberto para enxergar o potencial de cada aluno — e o poder que o conhecimento tem de transformar vidas.