ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
Quando o acolhimento transforma: a história inspiradora da professora Karoline Ribeiro Uzeika
No Ensino Fundamental, ela ensina com o coração e prova que o afeto é a base de toda aprendizagem

Ensinar é mais do que transmitir conhecimento — é tocar vidas. 💫
A professora Karoline Ribeiro Uzeika, do Ensino Fundamental I, representa bem essa essência. Inspirada desde a infância pelos professores que a acolheram, Karol descobriu na docência o seu verdadeiro propósito: transformar realidades através do afeto, da empatia e da educação. Nesta entrevista especial do Mais Notícias do Vale, ela compartilha momentos marcantes, reflexões e o que torna o ato de ensinar tão especial.
ENTREVISTA
MNDV: Karol, o que te motivou a seguir o caminho da educação e se tornar professora do Ensino Fundamental?
Karoline: Quando criança, a escola era o meu lugar favorito. Lá eu me sentia acolhida, segura e amada pelos professores que tive. Guardo boas lembranças deles. Sonhava em acolher e inspirar as crianças assim como me ocorreu. Na adolescência, trabalhei em uma escola como auxiliar, e o professor Itamar Dellani, que era o diretor na época, me motivou ainda mais. Então, assim que terminei o ensino médio, iniciei a faculdade.
MNDV: O que mais te encanta em trabalhar com crianças nessa fase tão importante da formação escolar e pessoal?
Karoline: O que me encanta é ver nos olhos deles esperança em um futuro. Quando eles percebem que seus sonhos são possíveis e que são capazes… ah! É lindo de viver isso! Dentro da escola conhecemos as mais diversas histórias de vida. Quando as crianças conseguem superar uma dificuldade ou algo que antes era um limite, é encantador.
MNDV: Cada turma é única… há alguma lembrança ou história marcante que ficou no coração ao longo da tua trajetória como professora?
Karoline: Ah sim, várias! Dentre histórias lindas, tristes, pesadas e leves, vou contar uma que aqueceu meu coração. Tive uma aluna com síndrome de Tourette na turma. Ela emitia sons repetitivos, e um dia um aluno perguntou: “quem fica fazendo esse barulho chato?”. Fiz uma roda de conversa, expliquei o que era a síndrome e passei o filme “O Primeiro da Classe”, que conta a história de um professor com Tourette.
Alguns dias depois, a aluna parou de emitir os sons. Questionaram o motivo, e ela respondeu: “vocês lembram no filme, quando ele disse que os tiques paravam quando ele se sentia aceito e acolhido? Então, agora eu me sinto acolhida aqui.”
Isso me preencheu de uma forma indescritível. A família me procurou para agradecer, e eu fiquei imensamente feliz. Fiz apenas o que qualquer adulto deveria fazer: orientar e explicar. Mas, para ela, foi algo grandioso. E para mim, inesquecível.
MNDV: O que você mais aprendeu com os teus alunos ao longo desses anos em sala de aula? 👩🏫
Karoline: Aprendi que ensinar vai muito além do conteúdo. Aprendi a escutar, a ter paciência e a compreender que cada criança tem o seu tempo e a sua forma de aprender. Cada aluno tem uma realidade e um ritmo. Cada criança sente e percebe — o olhar, o tom de voz, o carinho… tudo. Onde há acolhimento, há motivação para aprender.
MNDV: Como é lidar com os desafios diários da profissão e, ao mesmo tempo, manter a leveza e o amor pelo que faz?
Karoline: Não vou mentir, às vezes os desafios desmotivam… mas então eu penso: por que escolhi essa profissão? E lembro que tenho um propósito nela. Que acredito nela. Afinal, a educação mudou a minha vida.
MNDV: Você acredita que o papel do professor mudou muito nos últimos anos? De que forma? 📚
Karoline: Sim, mudou. Hoje o professor não é só quem ensina o conteúdo, mas também quem acolhe, orienta e apoia emocionalmente. O lado afetivo e o uso da tecnologia se tornaram partes importantes do nosso trabalho.
MNDV: Se pudesse deixar uma mensagem aos seus alunos (atuais e antigos), qual seria? ❤
Karoline: Por mais difícil que seja a sua realidade, não pare de sonhar. Faça tudo o que puder para alcançar o que deseja. Um dia, quando realizar — porque vai realizar —, você vai lembrar exatamente de quando sonhou, idealizou e planejou tudo. Você é capaz. Acredite.
MNDV: E para encerrar, o que o Dia do Professor representa para você, pessoal e profissionalmente?
Karoline: Para mim, o Dia do Professor é um momento de reconhecimento e valorização. Pessoalmente, representa orgulho por fazer parte de uma profissão que transforma vidas. Profissionalmente, é um dia de refletir sobre a importância do nosso papel e renovar a vontade de continuar aprendendo todos os dias.
Com doçura, empatia e propósito, Karoline Ribeiro Uzeika mostra que ensinar é muito mais do que lecionar, é inspirar sonhos, acolher histórias e acreditar nas possibilidades de cada criança.



