ESPECIAL DIA DO PROFESSOR

“Cada mente é um universo a ser descoberto”: a missão da professora Sandra Sassela na Educação Especial

Há anos dedicada ao AEE, Sandra fala sobre desafios, superações e o poder transformador de enxergar cada aluno como único

“Cada mente é um universo a ser descoberto”: a missão da professora Sandra Sassela na Educação Especial
Foto: Arquivo Pessoal
Publicado em 17/10/2025 às 18:00

No especial do Mês do Professor, o Mais Notícias do Vale apresenta a história inspiradora de Sandra Sassela, professora formada em Pedagogia, com magistério e pós-graduação em Educação Especial e Psicopedagogia. Atualmente, ela atua no Atendimento Educacional Especializado (AEE) — um trabalho essencial no processo de inclusão e desenvolvimento de estudantes com diferentes necessidades educacionais.

Mais do que uma educadora, Sandra é uma defensora da empatia, da escuta e do olhar humano. Para ela, ensinar é compreender que “cada mente é um universo a ser descoberto”.

ENTREVISTA:
MNDV: O que a motivou a escolher a área da Educação e, especialmente, a Educação Especial como caminho profissional?
Sandra:
Eu sempre nutri grande carinho pelas pessoas especiais, porque penso que cada ser humano é diferente, e cada mente é um universo a ser descoberto.

MNDV: Como foi o início da sua trajetória como professora e o que mais marcou esse começo?
Sandra:
Iniciei minha carreira como educadora infantil em Taió (SC). Foram sete anos bem difíceis — trabalhava oito horas por dia, estudava à noite, recém-casada, com um filho pequeno e enfrentando dificuldades financeiras. Depois me mudei para Timbó, onde passei um tempo fora da sala de aula, trabalhando no comércio. Quando voltei para a Educação, decidi tentar uma vaga no Estado e iniciei como regente dos anos iniciais. Logo migrei para a Educação Especial, onde realmente me encontrei como ser humano e profissional. Amo o que faço e sou feliz com meus alunos.

MNDV: O AEE tem um papel fundamental na inclusão escolar. Como é o seu trabalho no dia a dia com os alunos nesse atendimento?
Sandra:
Atendo os estudantes no contraturno, a maioria de forma individual, pois temos muitos alunos com TEA (Transtorno do Espectro Autista) nível II e III. Cada um tem um PDI (Plano de Desenvolvimento Individualizado), planejado com muito carinho. Trabalhamos alfabetização, fala funcional, socialização, jogos pedagógicos, coordenação motora, comunicação alternativa e muito mais. Cada atividade é pensada nas necessidades específicas de cada estudante.

MNDV: Quais são os principais desafios e as maiores recompensas de trabalhar com a Educação Especial?
Sandra:
O maior desafio é compreender cada estudante e saber lidar com crises emocionais. Às vezes é preciso deixar tudo para ajudar um aluno em crise — levamos tapas e mordidas, mas entendemos que não é voluntário. Eles tentam se comunicar da forma que conseguem. A maior recompensa é ver os avanços, mesmo que lentos. Quando um aluno me abraça, diz que quer vir todos os dias ou compartilha segredos comigo, eu percebo que estou no lugar certo.

MNDV: Em sua opinião, o que as escolas e a sociedade ainda precisam compreender melhor sobre a inclusão?
Sandra:
Que incluir não é ter dó ou “ser legal”. Incluir é acolher cada um do jeito que é — com suas necessidades, diferenças e características. Todos merecem o mesmo respeito e oportunidade de aprender.

MNDV: Você acredita que a formação continuada é essencial para os professores da Educação Especial? Como a pós-graduação em Psicopedagogia tem contribuído na sua prática?
Sandra:
Com certeza. Na Educação, e em qualquer área, é preciso estudar continuamente. Cada curso e especialização traz novos conhecimentos que ajudam a melhorar a prática, mesmo que nem tudo funcione de imediato. O importante é buscar constantemente novas formas de contribuir com o desenvolvimento dos estudantes.

MNDV: Existe algum momento ou história vivida com seus alunos que a marcou profundamente e que você guarda com carinho?
Sandra:
São muitos momentos, mas um me marcou profundamente. Um aluno cadeirante me contou que queria se suicidar porque ninguém saía com ele. Eu o levei para tomar um sorvete e conversamos sobre o valor da essência das pessoas, e não do exterior. Ele superou essa fase e sua família é muito grata. Pequenas atitudes podem mudar destinos — e isso me faz sentir um ser humano melhor.

MNDV: Neste Dia do Professor, que mensagem você deixaria para seus colegas educadores e para quem sonha em seguir essa profissão?
Sandra:
Seja bom no que faz, faça a diferença e se importe de verdade com a vida que você tem em suas mãos. O professor tem o poder de influenciar e transformar seus alunos. Podemos contribuir muito para um mundo mais respeitoso e humano. Afinal, é disso que se trata, não é?

A trajetória da professora Sandra Sassela é um retrato da força e da sensibilidade que movem a Educação Especial. Seu trabalho diário prova que ensinar é, acima de tudo, acreditar no potencial de cada ser humano — mesmo quando os desafios parecem grandes demais.