OKTOBERFEST
De uma ideia simples a um símbolo da Oktoberfest: conheça o criador dos tirantes
O blumenauense Curt Gropp eternizou seu nome na história da festa com criatividade e amor pela tradição

Andar pelos pavilhões da Vila Germânica, durante a Oktoberfest Blumenau, é mergulhar na tradição, na alegria e também na criatividade do povo do Vale. Entre canecos de chope, trajes típicos e sorrisos, um acessório sempre chama atenção: os tirantes, usados para segurar a caneca e completar o visual dos foliões.
O que poucos sabem é que existe uma história por trás dessa invenção — e o nome do homem que transformou uma ideia simples em um símbolo da maior festa alemã das Américas: Curt Walther Gropp, de Blumenau.

💡 Da necessidade à invenção
A história começa na década de 1970, quando ainda nem existia a Oktoberfest. Na época, eram comuns os festivais de chope no Vale do Itajaí, e o caneco era a “chave de entrada” para as festas.
Foi em um desses eventos que Curt percebeu um problema frequente: as pessoas perdiam ou quebravam seus canecos enquanto dançavam ou se distraíam.
“Ele começou a perceber que, quando iam dançar, deixavam o caneco em algum lugar e acabavam perdendo. Aí ele pensou: como é que eu vou fazer para levar o meu caneco comigo?”, relembra o filho, Conrado Luis Gropp.
A solução veio da criatividade: Curt criou o primeiro tirante, feito com corda de nylon, argola de cortina e um gancho. O que começou como uma simples ideia, virou um negócio de sucesso — e uma marca registrada da festa.
🧵 Família Gropp e o nascimento de um legado
Com espírito empreendedor, Curt decidiu comercializar os tirantes e expandiu sua linha de produtos com chapéus, broches e canecas estampadas. Sua esposa Neusa Gropp e os filhos Wilson, Yara, Yeda, Walther, Conrado e Flávio embarcaram juntos na ideia.
Quando a Oktoberfest Blumenau nasceu, em 1984, a família já estava pronta. Eles participaram da primeira edição da festa, vendendo seus produtos diretamente ao público — e rapidamente se tornaram um símbolo da tradição local.
“Foi crescendo, o pessoal pedia novidades e ele sempre buscava mais. Ele era apaixonado pela Oktober”, relembra Conrado.
A família Gropp também marcou presença nos desfiles da festa, enfeitando cavalos, carros e ajudando a construir o clima alegre e comunitário que até hoje define a Oktoberfest.
🎩 Tradição que atravessa gerações
Curt Walther Gropp faleceu em 2016, aos 80 anos, deixando um legado de amor e criatividade. Seu filho Conrado relembra com emoção a homenagem feita na abertura da 34ª Oktoberfest, em 2017:
“A hora que entrei no pavilhão e tocou Conquest of Paradise, me veio todo aquele sentimento. Quando piso aqui hoje, sinto a energia dele.”
O trabalho continua com o filho Flávio Roberto Gropp, que mantém a empresa da família e segue produzindo os tradicionais acessórios que ainda são vendidos em lojas da Vila Germânica.
“O pai nos ensinou a nunca desistir, nunca passar por cima de ninguém e fazer tudo com amor. Esse é o nosso maior legado”, afirma Conrado.
🍺 O símbolo que virou tradição
Mais do que um acessório, o tirante se tornou parte do “uniforme” dos foliões da Oktoberfest Blumenau — um símbolo de identidade e orgulho que conecta gerações.
Curt Gropp transformou uma simples ideia em um pedaço da história da festa, provando que a criatividade e o amor pela cultura são, sim, capazes de deixar marcas eternas.




