ESPECIAL DIA DO PROFESSOR
“Nada substitui o olhar humano”: o que move a professora Erika a continuar acreditando na educação
Apaixonada por Biologia, Erika transformou o amor pelas ciências em uma missão de vida: inspirar alunos a acreditarem em seus sonhos

Neste Especial do Mês do Professor, o Mais Notícias do Vale traz histórias que inspiram, emocionam e revelam o poder transformador da educação.
Uma dessas histórias é a da professora Erika A. Rodrigues, apaixonada por Ciências e Biologia, que encontrou na sala de aula o seu verdadeiro propósito: ensinar com amor e fazer a diferença na vida dos alunos.
Com entusiasmo e sensibilidade, Erika fala sobre sua trajetória, os desafios da profissão e o impacto das relações humanas na construção do aprendizado.
MNDV: O que te inspirou a seguir a carreira de professora e escolher dedicar sua vida à educação?
Erika: Boas professoras de Ciências e Biologia. Professora Neide do ensino fundamental, Leia e Maria Isabel do ensino médio. Elas me fizeram amar Ciências e desejar fazer Biologia.
MNDV: Como é o seu dia a dia em sala de aula? Quais são os maiores desafios e também as maiores alegrias dessa profissão?
Erika: Eu amo estar em sala de aula. Sempre tento fazer com que as aulas sejam um momento de construção de conhecimentos coletivos, trazendo exemplos cotidianos e aplicações práticas dos conceitos trabalhados.
Gosto muito de metodologias ativas e propostas que desafiem os estudantes durante as aulas.
A alegria da profissão é ver os alunos progredindo, encontrá-los depois de alguns anos e vê-los fazendo uma graduação, trabalhando e saber que de alguma maneira fiz parte desse processo.
Os desafios que encontramos são muitos — desde infraestrutura precária a problemas de aprendizagem, defasagem e falta de motivação para os estudos.
MNDV: De que forma a tecnologia e as novas metodologias têm transformado a forma de ensinar e aprender?
Erika: Estamos imersos em uma sociedade tecnológica e a escola precisa acompanhar isso.
No entanto, vejo que os estudantes têm muitas dificuldades em desenvolver pesquisas e usar ferramentas para trabalhos escolares. A exposição excessiva às redes sociais tem prejudicado a concentração e o interesse em atividades que exigem leitura e escrita — habilidades essenciais para o desenvolvimento cognitivo.
Manter os alunos focados em uma geração acelerada, que acorda e dorme conectada, é um desafio diário.
MNDV: Há alguma história marcante ou momento especial com alunos ou turmas que ficou guardado na memória?
Erika: Vários momentos! Tive uma turma com a qual desenvolvi minha pesquisa de mestrado — vivemos experiências incríveis em sala.
Como acompanho alunos do 6º ao 9º ano, criamos laços fortes ao longo de quatro anos. O momento da despedida é sempre marcante.
Tenho alunos que seguiram carreira em Biologia, Biomedicina, Educação Física e Química por causa das aulas de Ciências.
Mas um caso me marcou especialmente: uma aluna que sonhava em ser médica. Desde o 6º ano eu a incentivei a seguir esse sonho, pois via seu talento e dedicação. Hoje, ela está cursando Medicina com bolsa integral. Ver meus alunos realizando sonhos é o que mais me emociona!
MNDV: Como você enxerga o papel do professor hoje, diante das mudanças na sociedade e das novas gerações?
Erika: Muitas pessoas dizem que seremos substituídos pela inteligência artificial. Eu não acredito nisso!
O essencial do nosso trabalho são as relações humanas — olhar nos olhos, motivar, orientar e até corrigir quando necessário. Nada substitui isso.
Nosso papel é essencial e desafiador. Enfrentamos problemas que vão muito além da aprendizagem, como violência verbal e física. Ainda assim, seguimos firmes com um propósito: formar cidadãos críticos e conscientes do seu papel na sociedade.
MNDV: O que mais te motiva a continuar na profissão, mesmo diante dos desafios da educação no Brasil?
Erika: Primeiro, o amor. Eu amo o que faço.
Segundo, os bons alunos — eles me motivam a ser melhor também.
Ainda existem jovens que veem na educação uma chance de mudar de vida, e eu quero fazer parte dessa transformação!
Também tenho a oportunidade de trabalhar com a formação de professores em cursos de graduação. As disciplinas de didática e estágios são sempre especiais, pois mobilizo os acadêmicos sobre a importância de boas práticas em sala de aula para que a aprendizagem seja realmente efetiva.
MNDV: Que atitudes a comunidade, as famílias e os alunos podem adotar para valorizar mais o trabalho dos professores?
Erika: As famílias precisam ser mais presentes na vida escolar dos filhos — acompanhar notas, tarefas, avaliações e organizar um tempo de estudo longe do celular.
Os alunos devem ser mais comprometidos, responsáveis e organizados. A educação é uma via de mão dupla, e o envolvimento de todos faz a diferença.
MNDV: E para encerrar, qual mensagem você deixaria neste Dia do Professor?
Erika: Aos colegas, mesmo com tantos desafios, sigamos com fé e fazendo o nosso melhor, porque fazemos diferença na vida dos nossos alunos!
Aos estudantes, valorizem seus professores, respeitem as aulas, comprometam-se com os estudos — vocês estão semeando o futuro de vocês. “Se semearem coisas boas, colherão bons frutos em breve!”
Mais do que ensinar, inspirar
A trajetória da professora Erika é um lembrete de que a verdadeira educação vai muito além do conteúdo — ela nasce do afeto, da escuta e da dedicação diária.
Em cada palavra, gesto e incentivo, há uma semente sendo plantada. E quando o amor é o solo, o aprendizado floresce para a vida toda.



