FLORA TÓXICA

Santa Catarina proíbe o plantio da espatódea

Espécie africana é tóxica para abelhas e deve ser substituída por árvores nativas, orienta o IMA

Santa Catarina proíbe o plantio da espatódea
Foto: Divulgação
Publicado em 15/10/2025 às 18:31

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) lançou a campanha “Flora Exótica Tóxica para Fauna – espatódea (Spathodea campanulata)”, com o objetivo de alertar a população sobre os riscos ambientais causados pela espécie e reforçar o cumprimento da Lei Estadual nº 17.694/2019, que proíbe o plantio, a produção e a manutenção de espatódeas em todo o território catarinense.

Originária da África Ocidental, a espatódea — também conhecida como bisnagueira ou tulipeira-do-gabão — foi amplamente utilizada na arborização urbana, mas estudos comprovaram que suas flores contêm substâncias tóxicas letais para abelhas nativas e até mesmo prejudiciais à Apis mellifera, espécie amplamente utilizada na produção de mel.

As toxinas estão presentes no pólen, no néctar e na mucilagem das flores, causando a morte dos insetos e comprometendo a polinização, processo essencial para a manutenção da biodiversidade e da agricultura.

“A publicação dessa lei é um passo importante para que a sociedade se envolva no manejo consciente da flora e fauna, promovendo mais equilíbrio ambiental”, destacou Elaine Zuchiwschi, coordenadora do Programa Estadual de Espécies Exóticas Invasoras do IMA.

⚖️ O que diz a Lei

A Lei Estadual nº 17.694/2019 determina que:

  • Está proibida a produção e o plantio de mudas de espatódea;
  • As árvores já plantadas devem ser cortadas e substituídas por espécies nativas;
  • O descumprimento da norma pode gerar multa;
  • Em áreas urbanas, o corte em propriedades privadas pode exigir autorização da prefeitura, enquanto o corte em vias públicas é responsabilidade do município;
  • Nas Áreas de Preservação Permanente (APPs), a retirada é permitida sem autorização, desde que acompanhada de recuperação ambiental.

🌱 Árvores nativas recomendadas para substituição

O IMA orienta que as espatódeas sejam trocadas por espécies nativas adequadas a cada região, garantindo melhor adaptação e segurança para a fauna local:

  • Região costeira (restinga): mangue-formiga, aroeira, ingá-cipó.
  • Planícies e encostas da Mata Atlântica: ipê-amarelo, pau-angelim, corticeira.
  • Serra e planalto (Floresta de Araucária): canafístula, camboatá, caroba.
  • Região oeste (Floresta Estacional Decidual): ipê-roxo, timbaúva, canjerana.

A campanha do IMA reforça que substituir a espatódea é um ato de consciência ambiental, ajudando a preservar as abelhas e o equilíbrio dos ecossistemas catarinenses.