GASOGÊNIO

Chamas que movem um motor e uma história

Veículo de Benedito Novo roda com lenha e preserva memória de uma época em que a criatividade superou a falta de combustível

Chamas que movem um motor e uma história
Publicado em 01/10/2025 às 6:03

Um carro que parece ter saído de um livro de história segue chamando atenção em Benedito Novo, no Médio Vale do Itajaí. Construído em 1977 por Arnoldo Schmidt, o veículo artesanal foi projetado para rodar movido a lenha — tecnologia conhecida como gasogênio — e até hoje percorre estradas da região, agora sob os cuidados do filho, Schmidt.

Inspirado nas adaptações que se tornaram comuns durante a Segunda Guerra Mundial, quando a escassez de petróleo obrigou países a buscar alternativas, o sistema funciona de maneira semelhante a um fogão à lenha. A madeira é colocada em um compartimento traseiro, acesa com auxílio de jornal, e a queima gera o gás que alimenta o motor.

O automóvel possui dois aceleradores: um para gasolina e outro para o gasogênio. A autonomia chega a 70 a 80 quilômetros por carga de lenha, segundo o proprietário, que já acumula quase cinco décadas rodando com o veículo.

Herança de pai para filho

A engenhosidade foi herdada de Arnoldo, que pesquisou em livros antigos até aperfeiçoar o sistema. Para a família Schmidt, manter o carro em funcionamento é mais do que tradição: é preservar a memória e provar que a criatividade pode vencer até as maiores dificuldades.

“Já tamo com quarenta e sete anos andando com ele assim”, contou o morador, lembrando a mistura cultural alemã, italiana e polonesa que influenciou o trabalho do pai.

Patrimônio vivo

Embora o gasogênio tenha sido comum no Brasil até meados da década de 1960, hoje o veículo é quase uma relíquia. Para os mais jovens, representa uma curiosidade tecnológica; para os mais velhos, uma lembrança de tempos em que a falta de combustível exigia soluções alternativas.

Nas redes sociais, o vídeo que mostra o carro em funcionamento despertou lembranças e elogios. “Parabéns por nos mostrar essas coisas que a gente ouve falar e nunca tem oportunidade de conhecer”, escreveu uma internauta.

Mais do que transporte, o carro se transformou em um patrimônio cultural sobre rodas, que resgata histórias e mostra como a inventividade catarinense continua viva.